Como a pandemia de coronavírus vai afetar os hábitos de consumo dos brasileiros

Desde março o Brasil vem enfrentando a pandemia causada pelo coronavírus. Os impactos que acontecem na saúde e na economia terão poder de mudar radicalmente os hábitos de consumo, afinal, o ser humano é altamente adaptável e consegue sempre se reinventar de forma positiva.

De acordo com uma pesquisa da Euromonitor, divulgada no início de junho, algumas mudanças de hábitos do consumidor ao redor do mundo (que estão ocorrendo durante a pandemia) tendem a continuar, e o “novo normal”, quando acabar o isolamento social, trará atitudes que vão impactar as empresas.

Os consumidores redefinem e adaptam suas rotinas diariamente, à medida que ficam em casa por mais tempo (com as prorrogações do isolamento social), reforçando ainda mais tendências de mercado pré-COVID-19 no sentido de entretenimento doméstico e experiências digitais, como a opção de streaming e cursos EAD, por exemplo.

O Home Office, modelo de trabalho remoto, tem crescido durante a pandemia e, de acordo com pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas – FGV, o número de empresas que pretendem adotar o Home Office após a crise do novo coronavírus deve crescer 30%.

Mesmo após o fim do isolamento social, que vivemos atualmente, será preciso manter o distanciamento social e, assim, o mercado terá que continuar se adaptando à nova realidade que a humanidade enfrenta.

Os dados levantados pela pesquisa refletem a situação comum em muitos lares brasileiros. A fim de não sair de casa, ou diminuir ao máximo essas saídas, o consumidor tem preferido marcas omnichannel, ou seja, empresas que atendem em diversos canais, tanto em lojas físicas como em lojas online e vendas por telefone, gerando aumento no varejo digital. O consumidor também tende a avaliar melhor a decisão de compra, dando preferência a itens considerados realmente necessários.

No geral, o modo como os consumidores trabalham, compram, comem, bebem e se divertem será impulsionado pelo isolamento doméstico prolongado e pelo ‘medo de risco’.

Alterações na mentalidade do consumidor reduzirão o consumo de itens não essenciais, tendo como além do foco para o bem-estar próprio, da família e na saúde preventiva.

A saúde é um ponto que terá maior “importância” no dia a dia, incluindo o bem-estar físico, mental e emocional. A ideia de se manter saudável deve manter o crescimento das vendas de itens de produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica, tornando como hábito definitivo a higienização de itens de supermercado, por exemplo, como medida de segurança para manter a saúde em dia. Desta maneira, o consumidor busca por produtos com alta tecnologia, que facilitem os processos de limpeza e desinfecção de seus lares, como bens de consumo que agreguem mais de um benefício em um só produto e itens de higiene pessoal que ajudem a manter a pele íntegra, mantendo sua limpeza e hidratação em dia.

Outro conceito que já vinha sendo valorizado pelo consumidor, que aumenta com a pandemia e deve ser cada vez mais reforçado, é a questão da sustentabilidade. Com o aumento do manuseio de produtos e a presença mais intensa das pessoas dentro do lar, crianças e animais domésticos, o consumidor tem buscado por produtos que, além do bom desempenho, sejam seguros e sustentáveis, sendo esta mais uma maneira de preservar a saúde de sua família.

Nesta mesma linha, a alimentação passa a se concentrar cada vez mais dentro do lar, com o aumento do preparo das refeições pelo próprio consumidor, facilitada pelo fácil acesso às receitas e fóruns online com dicas de culinária. Serviços de alimentação como restaurantes e bares devem diminuir sua demanda, porém o setor deve ser mantido através da tendência dos atendimentos de balcão (para retirada de pedidos) e entregas (delivery) que já é forte durante a pandemia e que fez com que empresas que não atendiam através destes serviços se adaptassem.

Os pontos de venda físicos não devem ser extintos, mas devem ficar em segundo plano. A aceleração do comércio online que se tornou uma alternativa para muitos setores está em evidência e deve ser mantida, obrigando os pontos de venda físicos a intensificar as justificativas para que o consumidor vá até ele, estimulando as visitas ao comércio.

Assim, é fundamental que os líderes de negócios encarem a tecnologia como uma grande ferramenta de humanização, ressignificando seu uso (anteriormente associado à desumanização, criando distância entre as pessoas) e, hoje, utilizada cada vez mais para aproximar pessoas que não podem estar juntas presencialmente, além de possibilitar o trabalho e compras através do sistema remoto, garantindo a saúde física e mental de clientes e funcionários, e ainda ser uma alternativa para manter sua fonte de renda.  

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